A minha vida imita a minha arte

Espero que gostem
das nossas imitações
colocadas em palavras
virgulando, reticenciando
Nossos mergulhos
Nessa loucura chamada
Pensamento

Luciana Gaffrée

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Poema Sinleté/ ("Poème Sinleté"), do poeta português/ du poète portugais Manoel de Freitas

Não vale a pena empurrar o discurso
até aos nulos e fulgurantes
limites da linguagem. Não vale a pena
nomear o vazio com palavras mais estéreis ainda.
Que pereça sozinho este mundo onde
por descuido regressámos a um corpo
e lhe ensinámos a ruína, os vários
rostos da morte.
[...]
Tudo existe mas nada é real,
nem sequer o vazio. Digamos adeus
à alma que se nos nega
como uma salsicha sem lata,
deixando o poema esquecido
a um canto de si, liquefeito e atroz.

De nosso só temos a morte,
o que não vale a pena sabermos


Ça ne vaut pas la peine de pousser le discours
jusqu´aux nulles et flamboyantes
limites du langage. Ça ne vaut pas la peine de
nommer le vide avec des mots plus stériles encore.
Qu´il périsse tout seul ce monde où
par mégarde on revient à un corps
et où on lui enseigne la ruine, tous
les visages de la mort.
[...]
tout existe mais rien n´est réel,
même pas vide. Disons adieu
à l´âme qui nous évite
comme à une saucisse sans boîte,
laissons le poème oublié
dans son coin à lui, liquéfié et atroce.

A nous, il ne reste que la mort,
ce qu´il vaut de pas savoir

Tradução para o francês/ Traduction en français de
Luiz Fernando Gaffrée Thompson.

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