Aqui encontrarão contos, poesias e reflexões de vários amigos e/ou poetas amorosos, amigos e queridos, de várias partes do mundo, em um trabalho muitas vezes inconcluso. Esperamos que gostem. Luciana Gaffrée; Luiz Fernando Gaffrée Thompson materportugues@gmail.com
A minha vida imita a minha arte
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Fragmentos I de "O Teatro e Seu Duplo" - Artaud
Esta obstinação em fazer que as personagens dialogem sobre sentimentos, paixões, apetites e impulsos de ordem estritamente psicológica, onde uma palavra substitui inúmeras mímicas, uma vez que estamos no domínio da precisão, esta obstinação é a causa de ter o teatro perdido sua verdadeira razão de ser e de estarmos deseando um silêncio no qual melhor poderíamos ouvir a vida. É pelo diálogo que a psicologia ocidental se expressa: e a obsessão com a palavra clara que tudo diga leva ao ressecamento das palavras.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
BAKHTIN, Mikhail
[1] BAKHTIN, Mikhail. Estética de la Creación Verbal. Trad. Tatiana Bubnova. México: Siglo 21, 1982. p. 352.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Roland Barthes e o Sentido
A humanidade ocidental há séculos vive combates de sentido.
Qual o limite do sentido?
Os diferentes regimes antropológicos do sentido
Monossemia = quando acredita-se que as mensagens ou significantes têm um único sentido, que é o certo, levando a uma assimbolia, característica da tautologia.
Polissemia = É quando se dá o “arrepio do sentido” (Hegel)
Ou quando temos um pensamento místico.
Assemia = Ausência de sentido. O vazio. Por exemplo, o budismo.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
o ponto de vista cubista em detrimento da linearidade
Não há como processar conhecimentos lógicos e racionais sem ser pelo uso da língua. Ela seria – a meu ver – a primeira mediadora do eu-consciente com o mundo.
Claro que tudo isso está fortemente ancorado na trajetória da relação entre o significante e o significado, que foi mudando com o tempo. Antes da pós-modernidade, os signos tinham seus significantes totalmente unidos aos seus significados, e estes estavam fechados. Ou seja, nãohavia uma possibilidade de abertura ou de vazio.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Roland Barthes
"Pero la lengua,
como ejecución de todo lenguaje,
no es ni reaccionaria ni progresista,
es simplemente fascista,
ya que el fascismo no consiste en impedir decir,
sino en obligar a decir".
(Roland Barthes en Lección Inaugural -
de la cátedra de semiótica literaria del Collège de france)
quarta-feira, 13 de junho de 2007
E se dentro está vazio?
de Luciana Gaffrée
terça-feira, 29 de maio de 2007
Vírus, Linux e 100g de Loreley
Então, tudo isso é pra avisar, que "vida normal" de meu blog será a partir de quinta-feira, até lá preciso pedir emprestado o computador para um senhor muito ocupado, que me olha feio e controla o meu tempo de uso, como está fazendo agora.
Tenho que ir, na quinta-feira nos vemos!
quarta-feira, 23 de maio de 2007
DO LAR
As mamães vão pra cozinha fazer as "empanadas", a pizza caseira já tá pronta. Tem também gelatina, pipoca feita na hora, de panela e guaraná brasileiro. Mas, as mamães tomam mesmo é um delicioso café com biscoito de chocolate e conversam sobre suas vidas.
terça-feira, 22 de maio de 2007
A Dica
http://www.eca.usp.br/tfc/geral20061/index.htm
Nele tem um artigo excelente:
EDUCAÇÃO SOMÁTICA E DANÇAS TRADICIONAIS: A Des-construção de Padrões Corporais através da Experiência Intercultural por Ciane Fernandes
No texto, a autora discute a importância do corpo nas artes cênicas contemporâneas, a relação entre arte e ciência na academia, e o papel da academia na relação entre o fazer e o analisar artístico num contexto (aparentemente contraditório) de especialização e multiplicidade de meios de criação, inclusive as chamadas novas tecnologias. Qual o papel das artes no processo de des-objetificação do corpo, devolvendo-nos o poder de redançar e reescrever nossas memórias em constante transformação? A partir da “escrita performativa” de Austin, da Análise Laban de Movimento, e das linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em artes Cênicas da UFBA, a autora propõe uma abordagem transitória, qualitativa e subjetiva da cena.. mais... ................................................... summary and key words
Anel de Moebius: Técnica mista por R. Garcez
domingo, 20 de maio de 2007
O pão, o ditador e o milagre
Esquece-te então de que o homem prefere a paz e até mesmo a morte à liberdade de dicernir o bem e o mal? Não há nada mais sedutor para o homem do que o livre-arbítrio, mas também nada mais doloroso. (...)
Sem dúvida recebendo de nós os pães, verão bem que tomamos os deles, ganhos com o seu próprio trabalho, para distribuí-los, sem nenhum milagre; verão bem que não mudamos as pedras em pão; mas o que lhes causará mais prazer que o próprio pão será recebê-lo de nossas mãos! Porque se lembrarão de que outrora o próprio pão, fruto de seu trabalho, mudava-se em pedra em suas mãos, ao passo que, quando voltaram a nós, as pedras tornaram-se pão. Compreenderão o valor da submissão definitiva. " Fiódor Dostoiévski - Os irmãos Karamázov
sábado, 19 de maio de 2007
Imperdible

Celulosa que me hiciste guapo:
el tango Merco-Global
de Ricardo Viscardi
Presentación por Andrea Díaz, Angel Vera y Raúl Zibechi
Jornadas de Extensión Académica de los estudiantes de filosofía
Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación
Sábado 19 de mayo, 15:30h.
Sala Cassinoni
Magallanes 1577 esq. Uruguay
http://ricardoviscardi.blogspot.com/
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Ada
De tão longe posso sentir
Que você já deve estar enjoada
De ficar assim tão quieta, calada
Puxa vida
Onde já se viu Dona Ada parada?
Porque conheço bem você
E sei bem como é
Afinal,
Cada luta sua foi uma vitória
Cada Candido uma inspiração
E nos momentos de paz
O verde de Itaipava pulsava o seu coração
Um coração bem diferente
Deste outro que parou
Um coração de vida
Uma vida que é uma mistura
Porque
Você está no meio de nós
E é nessa mistura
Que seguimos o nosso destinho
De família apaixonada
De Candido
De Ada
(escrito em 2 de setembro de 1999, para Ada Gaffrée)
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Eu entrei na roda mas não sei dançar!!!
Um dia especial, o de hoje, pois é delicioso manejar ritmos (como no teatro) dentro de nossas salas de aula. Claro que qualquer ator sabe disso, mas no dia-a-dia vamos aprimorando essa habilidade e criando uma crescente harmonia com o nosso grupo de alunos, no meu caso eles têm 11 anos de idade.
O ritmo é a peça mais importante em qualquer espetáculo teatral. Teatro é atuação em ritmo. Entrar no mesmo ritmo é uma forma de união, proximidade e afinidade . É estar sintonizado com o outro, magicamente, especialmente, essencialmente.
Quem sabe se a comunicação - que possivelmente seja "verbalmente" bem incomunicável, lembrando agora do crucial livro "A Troca Impossível" de Baudrillard - seja apenas entrar no ritmo do outro, dançar no mesmo compasso, buscar sintonias, a freqüência, a batida, é deixar-se mover com o outro, diminuir o tamanho do seu eu, para encaixar-se numa grande orquestra do nós, que somos vários diferentes, ao mesmo tempo. O conteúdo foi trabalhado, mas o mais importante é ver que trocamos olhares felizes, cúmplices, conectados, houve humor, alegria, descontração, seriedade, concentração, toques, risos,
Talvez não devêssemos dizer que temos "turmas" de alunos, mas sim "orquestras" de alunos. Hoje a minha orquestra de 6º série primária tocou maravilhosamente bem!!!
Coincidentemente, dou aulas no Uruguai, onde um sinônimo para professor é "maestro", pois é, o regente de uma orquestra sinfônica.
domingo, 13 de maio de 2007
A dor póstuma, tão alemã, será?
A dor póstuma é quando aparece o espectro da tua ausência num momento passado, é uma morte matada de nossas decisões, aquelas que não tomamos, e essa morte matada surge anos depois, totalmente póstuma, querendo cobrar sua "não-existência", e em seu lugar, senta-se ao nosso lado o vazio, com seu gosto de nunca mais.
Porque não vamos confundir a dor póstuma com o simplório arrependimento, aquele por não ter feito algo que desejava. Até porque nela não há o arrependimento, só a consciência do inevitável. Ela é muito mais dolorosa e cortante. Ela é o fim da possibilidade que você não quis. O arrependimento surge quando numa encruzilhada da vida você vai por um caminho, se arrepende porque queria ir pelo outro, ou até mesmo dá tempo de voltar, mas o encontro póstumo com a dor é quando você na encruzilhada tomou um caminho, viveu esse caminho, e quase no final, de repente do nada surge o "caminho paralelo", que conversa com você, te coloca em cheque, te humilha até, e aí como uma revelação (como o espectro em Hamlet) ele vem exigir que você sinta que todos os lugares que você não ocupou nunca deixarão de existir, e como uma tortura, estarão sempre visíveis para você, iludida, pensar que ainda os têm, mas quando chega perto quase tocando nesses objetos de desejo que você deixou passar, eles desaparecem. E é aí, nesse exato momento de ilusão ótica que a dor póstuma se instala para nunca mais sair.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Porte-bouteilles
“Esta prateleira para garrafas, retirada de seu contexto utilitario e atirada à praia, foi investida com a solitaria dignidade do abandono. Inútil, disponível, pronta para o que der e vier, está viva. Vive na beira da existência de sua própria e perturbadora vida absurda. O objeto perturbador – é este o primeiro passo para a arte”. Comentário de Jean Bazaine para a Porte-bouteilles de Duchamp.
sábado, 5 de maio de 2007
APARTE de Mário Handler
De la cámara, llevada al hombro de Handler, se destacaba una lente gran angular (casi – por momentos - ojo de pez), revelando la “profundidad de campo” de estos excluidos, exhortando de espectador una visión con mayor amplitud que la propia visión humana. Por medio de la cámara, el espectador es uno entre ellos, junto a ellos, no aparte de ellos. Este “ojo” revela la grandiosidad y muestra lo cercano sin perder la amplitud. La “perspectiva” de este “ojo” revela su “Weltanschauung”, (visión de mundo) desde el punto de vista del excluido de nuestras vistas. Y las distorsiones son producto de un acercarse demás a la realidad.
El Fuera de Cuadro de Amores Perros
El cuadro juega en Amores Perros el papel principal, pues muestra que el límite de lo que uno ve y no ve es la amputación de la visión “distanciada” (racional, objetiva) del mundo. La cámara no se detiene a darnos tiempo, su foco es ansioso, acelerado, descontrolado como un auto, un perro, un accidente. Nos niega profundidad y perspectiva, generando una fuerza contraria, un deseo del espectador de que se abra un poco más “el limite de la imagen”, para que se pueda “ver mas allá” y así darnos la esperanza de que la vida no es un enredar de accidentes debido a nuestra incapacidad de ver mas allá del adentro del cuadro.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
A Modernidade em Brecht e o Efeito de Distanciamento
O teatro Brechtiano repousa numa série causal, sai do “espaço em quadro” stanislaviskiano, cujo espetáculo era visto como um todo fechado em si mesmo, para abrir-se à História Moderna.
Brecht coloca o valor dos personagens no “trabalho” que desempenham. Daí, a importância do “gestus social”. O personagem é construído a partir do lugar de “Homo oeconomicus” em que ocupa na sociedade. Enfim, no teatro brechtiano aparece a idéia de historicidade, de causalidade em série e de encadeamento temporal, bem como trabalha em base a uma pirâmide hierárquica marxista, pois as funções dos personagens são a hierarquia interna da obra. Enfim, o teatro Brechtiano baseia-se na noção sintética e não taxiômica de vida.
A palavra em Brecht também deixa de ser um “ser constitutivo” e passa a mostrar, dentro da sintaxe narrativa do espetáculo, que não é cristalina, e que nunca será uma perfeita representação da realidade. Pois há uma espessura entre a realidade e a sua representação.
É nessa espessura, nessa leve ponte entre a realidade e a representação da mesma, que será introduzido o Efeito-D. Com a introdução do Efeito-D o teatro de Brecht passa a ser “linguagem em ação”, pois ele é a ponte que permite que o olhar da platéia se desloque do palco, para o lado do sujeito em atividade. Ou seja, é o Efeito-D que faz com que a representação teatral seja algo mais que uma “representação das coisas percebidas”. O Efeito-D está para a relação entre palco e platéia, como a linguagem está – na visão humboldtiana – para a relação entre o sujeito e o mundo. Para Humbolt é a linguagem quem vai dar ao homem a idéia de liberdade para transformar sua história e querer um destindo diferente, mas é o Efeito-D no teatro o que vai permitir que este tenha a função de desalienar o ser humano em busca da sua liberdade e destino diferente.
É pois, então, o Efeito-D o que vai propiciar que a subjetividade da platéia intervenha no desfecho do espetáculo, e que o teatro participe na elaboração da realidade. Sendo assim, ao introduzir o Efeito-D o vínculo entre homem e natureza, visando a transformação social, também pôde ser dado através do teatro.
Outro ponto importante é a relação do Efeito-D com o plano da consciência. Sem essa relação, já explicada anteriormente, seria impensável um teatro didático, como foi o teatro brechtiano. Já que aprender requer pensamento racional, crítico, ordenado e consciente. Como foi dito anteriormente: o Efeito-D permite haver a função político-didática do teatro Brechtiano.
O olhar intrigado tão vital para o teatro brechtiano surge no momento em que o teatro passa a colocar no palco um “mediador” que joga na platéia o olhar de volta pra ela mesma. A platéia olha o espetáculo, mas este joga de volta pra a platéia o reflexo desse olhar. A platéia novamente processa esse reflexo e o devolve ao palco, que novamente por meio do “mediador” devolve o olhar refletido, e como na visão do trabalho em Ricardo tanto como em Marx, o teatro brechtiano também cria uma escala de produção crescente de valor. O valor está no olhar crítico da platéia, que vai se transformando a cada vez que se produz, nesse jogo causal, em novo valor, numa ordem acumulativa.
Esse mediador é o Efeito-D, mediador do encontro entre a platéia e a sua “verdade objetiva”, esta verdade já não está dada do outro lado da quarta parede, separada da platéia. O Efeito-D derruba a quarta parede, e com ela derruba a hipnose, trazendo para a cena teatral o pensamento crítico da platéia, doravante interventora.
Sem a quarta parede, a verdade cênica também se desloca do espetáculo para o pensamento da platéia. Quanto mais realista e crítico e científico e histórico for o pensamento da platéia, maior a verdade cênica alcançada. Sendo assim, o Efeito-D seria a espinha dorsal do teatro da sociedade moderna.
Mas, por que usar o Efeito-D hoje em dia, já que atualmente fatores como casualidade, contingência, e irracionalidade ganham relevância na arte, influenciada por posturas pós-estruturalistas e pos-modernas?
Em Dogville o Efeito-D foi usado com a intenção de mostrar o tempo todo que aquilo “não é real”, o fingimento, a mentira e a história ou realidade como uma “narrativa”.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
DE LAS FALTAS, LA CIENCIA Y LA TECNOLOGÍA
El pasado 9 de enero a través de la aprobación de la Ley Nº 18.084 se creó la Agencia Nacional de Investigación e Innovación (ANII) que pone de relieve varias cuestiones relacionadas con el futuro del saber universitario, de la investigación básica, del país como generador de un pensamiento propio, e incluso puede ser interpretado por algunos como un proyecto controlador e inhibidor de la autonomía de los actores involucrados, entre ellos de la Universidad de la República – que desarrolla el 80% de la investigación que se realiza en el país-.
LO QUE QUISISTE SER. La UdelaR presentó varias propuestas alternativas a dicha Ley, alguna de las cuales fueron contempladas. Entre los aspectos críticos está analizar los cambios propuestos que no fueron contemplados en la redacción última de la Ley.
Uno de los puntos claves se encuentra en el Artículo III, donde la UdelaR sugiere que “el Poder Ejecutivo fije las prioridades y la aprobación de programas y proyectos especiales con consulta preceptiva al CONICYT[1]”. Pero finalmente la Asamblea General del Poder Legislativo facultó por decreto en el Art. II que el “Poder Ejecutivo a través del Gabinete Ministerial de la innovación le compete los lineamientos políticos y técnicos en materia de Ciencia, Tecnología e Innovación”, sin mencionar en ningún momento al CONICYT y a la UdelaR.
Según la Ley, el CONICYT estaría concebido como un simple órgano asesor, a pesar de las observaciones tanto del SUPCYT (Sociedad Uruguaya para el Progreso de la ciencia y la Tecnología) como de la Universidad de la República, en sus informes enviados al Senado, informes que avisan reiterativamente sobre la vital importancia del CONICYT para la construcción de una agencia fruto de un proyecto colectivo, o sea, como dijo el prof. Dr. Rafael Canetti (representante de la UdelaR en el CONICYT), era de esperar que un gobierno de izquierda concediese parcelas de poder en dirección de la sociedad civil, con una perspectiva de Estado que también refleje los deseos de toda la sociedad. La cuestión de la autonomía, de hecho no concierne sólo a UdelaR, sino al conjunto de los actores involucrados en este tema, que se entiende medular para el país.
Desde esa perspectiva relativamente defensiva, UdelaR alertó sobre la necesidad de “reafirmar el rol del CONICYT como ámbito por excelencia para canalizar los puntos de vista de los diversos actores involucrados en el desarrollo científico y tecnológico y de la innovación en el país. Aún cuando las decisiones finales son resorte del Poder Ejecutivo, considera importante enfatizar que el CONICYT no debe ser un órgano anodino al que se consulta por mera formalidad, sino que debe jugar un rol activo, particularmente en la definición del Plan Estratégico. Para ello, el CONICYT debe tener una adecuada representatividad de los actores del sistema y estar dotado tanto de recursos financieros como humanos para cumplir dicha función de manera activa y creativa”[2].
Consultado sobre el ámbito idóneo para la toma de decisiones, ante la alternativa planteada entre el Poder Ejecutivo y el CONICYT, el Senador Rubio dijo: “Tal como establece la ley aprobada, el Poder Ejecutivo tiene la responsabilidad de ‘la fijación de los lineamientos políticos y estratégicos en materia de CTI’. Esta es una obligación irrenunciable en un tema de carácter estratégico para el futuro del país, cuya resolución no puede quedar a cargo solamente de un organismo autónomo. El conjunto de los diversos actores que integran el CONICYT debe expresar sus opiniones y aportes en él, y monitorear la ejecución del Plan Estratégico en la materia.”
Pareciera formalmente razonable el propósito del Senador, sin embargo no se percibe con precisión que la ley garantice dicha participación del CONICYT, a no ser en calidad de “asesor” no vinculante, dicho de otra manera, el Directorio de la Agencia tiene la obligación de escucharlo, pero como alertaba UdelaR, esas opiniones apenas deben ser recabadas. UdelaR propuso en el debate previo, que se incluyera la siguiente oración: “Para hacer efectivas las resoluciones referidas” habría que considerar el parecer del CONICYT. Sin embargo esta frase no entró en la ley, quedando apenas consignado que “En las resoluciones referidas” debe estar obligatoriamente el parecer del CONICYT, pero como un elemento recabado. Un detalle menor...
Por otra parte el Senado propuso en el Art. 6º del CAP III que el Directorio de la Agencia estaría integrado por 5 miembros propuestos únicamente por el Gabinete Ministerial de la Innovación, por su parte la UdelaR sugirió oportunamente que 2 de estos 5 sean nombrados por el CONICYT. Finalmente la Asamblea General dispuso pasar de 5 a 7 miembros integrando a estos 2 del CONICYT, órgano excluido del Proyecto original.
Si bien este es un importante logro para los actores del CONICYT, en especial de UdelaR, no impide la perdida del peso político real frente al Poder Ejecutivo, ya que en el Literal F del Art. 7º aparecen finalmente las atribuciones del CONICYT como anexo: dentro del Directorio el Consejo será tan solo un consultante. Esto significa la exclusión de la UdelaR en las decisiones sobre el destino de los fondos de la Agencia para la investigación. Es necesario resaltar que desde la propia UdelaR se lleva a cabo el 80% de la investigación en ciencia y tecnología del país
Consultamos al Senador Rubio sobre el financiamiento de los proyectos y la posibilidad de que diversos actores del conocimiento sean seducidos por “el proyecto que sugiere el financiador”, sobre todo si este cuenta con un gran respaldo parlamentario. Interrogado acerca del dispositivo de la Agencia como eventual vía indirecta para limitar la autonomía universitaria, bajo el pretexto de política de Estado, respondió: “Los actores del conocimiento deberán elevar propuestas en el marco del Plan estratégico que se apruebe, más allá de “lo que el gobierno quiera” en cada caso. Si el país define una política de Estado con metas y objetivos, la Universidad estatal no puede quedar al margen de ella, enfrentándola atrincherada en su autonomía.”
Esta respuesta permite divisar una figura atrincherada de UdelaR, quizás percibida desde el poder político como un reducto que forzosamente levantará, más allá del signo ideológico de los gobiernos de turno, el lema “no pasarán”. En tal cotejo instalado desde la propia dinámica institucional, incluso del Estado, “autonomía” puede ser entendida como sinónimo de encerrarse en sí mismo. Llegaría a entenderse por el reverso el antiguo concepto universitario de “autonomía”, en un sentido cognitivo, esto es, la libertad garantizada para ir y venir, a pesar de los vientos partidarios o de gobierno.
PARA NO DORMIR LA SIESTA. Si bien se procesó un profundo debate interno, este quedó paraninfo adentro a fines de diciembre. La nueva Ley, encontró a la UdelaR entre la siesta veraniega y en el vaivén de la hamaca del cambio.
Paralelamente el nuevo gobierno a pesar de sus diferencias internas, lauda lo propuesto escuetamente en el programa del FA votado en el IV Congreso Extraordinario “Hector Rodríguez” cuando habla de: “Una nueva arquitectura institucional” en lo que respecta a Ciencia, Tecnología e Innovación, redimensionando el rol del CONICYT como tal.
Teniendo como prueba la carta elaborada por el senador Rubio el 4 de noviembre de 2006 como respuesta a las propuestas del SUPCYT, él mismo encabezó un embate contra el CONICYT queriendo eliminar totalmente la posibilidad de ser más que un mero órgano asesor al afirmar lo siguiente: “no comparto que la política pública en CTeI (Ciencia Tecnología e Investigación) en el país deba ser conducida por el CONICYT -no otra cosa se postula al sostener que sus pronunciamientos deben ser vinculantes-. Estoy de acuerdo en que es necesario jerarquizarlo. Pero la ciudadanía no puede delegar la definición de las políticas públicas en órganos de representación social, sectorial o corporativa.”
Continúa afirmando (art. 26º) que el reglamento elaborado por el CONICYT para su funcionamiento deberá ser aprobado por el Gabinete Ministerial de la Innovación (GMI), mientras que la UdelaR propone que sea el propio CONICYT quien elabore y determine su régimen de funcionamiento sin control del GMI.
Entrevistado por este medio a cerca de si dichas políticas puedan quedar a merced de los vaivenes político-partidarios del Poder Ejecutivo de turno, el senador afirma que: “la presencia de actores no políticos en el CONICYT busca justamente que la sociedad en su conjunto tenga injerencia y limite la discrecionalidad del gobierno”.
Cabe preguntarse entonces si el Senador se refiere al mismo CONICYT que fue reducido al rol de consultante, al mismo que en el proyecto de ley original se vio privado de representación en el GMI y que todavía no cuenta con financiamiento, incluso aquél designado en su totalidad por dicho Gabinete.
La gravedad de esta disputa de poder entre el CONICYT y el Poder Ejecutivo no es menor, en cuanto se vislumbra un cambio profundo en la autonomía de la misma universidad. En primer lugar, porque la Ley lleva a que sea el Poder Ejecutivo quien decida como aplicar los fondos, y con esto, lleva a que la propia universidad camine no más por sus inclinaciones propias y autónomas, sino por instrucciones de un órgano ajeno a ella misma. En segundo lugar, porque al ser el Poder Ejecutivo quien decide adonde destinar los fondos, fomentará a que los actores eleven propuestas que se inclinen a lo que el gobierno quiere, pudiéndose interpretar esta como una vía indirecta de poner fin a la autonomía de la investigación universitaria del país.
Pese a eso, hay que preguntarse qué ha llevado a la UdelaR a afirmar que “La Universidad de la República comprende la necesidad de avanzar en la creación de la agencia mencionada, en el entendido de que resulta conveniente contar con una organización idónea para administrar recursos provenientes de diversas fuentes y que atenderán variados programas, aún antes de culminarse la elaboración del mencionado Plan Estratégico”. En las palabras del prof. Dr. Rafael Canetti, uno de los problemas que llevaron a que la agencia fuera aprobada es evitar un “hueco” entre las investigaciones que se concluyen y las futuras, que no existen aún. Igualmente, esta agencia es, como dijo el SUPCYT, una tienda sin los productos, o algo así como un cheque en blanco. Pues, lo que se sabe es que los investigadores tendrán que enviar propuestas dentro del marco del Plan Estratégico. Pero, ¿qué plan es éste? Nadie sabe, por ahora. Hay que confiar en que la izquierda es “buena gente”.
UdelaR sigue: “La Agencia será igualmente un ámbito idóneo para coordinar los esfuerzos de otras agencias de promoción de la temática en cuestión.” ¿Con qué fundamento entiende UdelaR que este órgano será idóneo, si la propia UdelaR ve con mucho recelo el enorme poder y control con que la Ley inviste al Poder Ejecutivo frente a una relevante disminución del rol de la misma UdelaR? ¿Como puede ser idónea una agencia en la que casi todos sus integrantes son designados por el GMI?
Además: ¿Cómo va a interactuar la UdelaR con las “políticas de Estado” sin crear un conocimiento fruto de negociaciones interpartidarias, al margen de tendencias propiamente académicas y por lo tanto, lesivas para la autonomía en el sentido universitario del término?
Sobre el punto de la autonomía, a pesar de la alarma que cundió entre los universitarios, se entiende que esta ley refleja delicadamente una visión sobre la universidad que avanza progresivamente entre gobernantes y ciudadanos que, para decirlo en las palabras del Senador Rubio significa: “Lo que no me parece sostenible es que se invierta capital social en un saber solo “académico”, en el sentido de carente de aplicación”. ¿Qué será un saber solo “académico”? ¿Las matemáticas duras son un saber solo académico? ¿El latín también? ¿Hay realmente un saber carente de aplicación?
¿Se podría decir que se ha tomado cierto camino hacia un control gubernamental disfrazado de progresismo productivo?
DE LAS FALTAS. El proyecto de ley aprobado aparece publicado textualmente con el siguiente nombre: “AGENCIA NACIONAL DE INVESTIGACIÓN E INMOVACIÓN” ( Publicada D.O. 9 ene/007 - Nº 27156). Esta “falta” es solamente ortográfica o es un lapsos denunciando la “falta” implícita hacia los ciudadanos? Error ortográfico o estratégico? La respuesta queda en manos de los actores.
Croveto, Sabrina
[1] Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica (CONICYT)
[2] La Universidad de la República ante el Proyecto de Ley de creación de la Agencia Nacional de Investigación e Innovación (http://www.fcs.edu.uy/inst/consejo/Asuntos%20a%20consideracion%20del%20Consejo/ANII%20OPINION%20Comisi%F3n%20UdelaR.doc)